terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Roger And Me, Michael Moore


Roger And Me é um documentário de 1989, realizado por Michael Moore que é um realizador que despensa apresentações. Foi o seu primeiro documentário e ao contrário do que se esperava foi um grande sucesso e o que abriu as portas para a sua caminhada.
Inicialmente Michael começa por contar sintetizadamente a sua infância, e a cidade onde nasceu e que toda a sua família trabalhou na General Motors, mas que ele quer ser excepção. E vai-nos mostrar os pontos negativos que a GM trouxe para Flint (a sua cidade, localiza no estado de Michigan, Estados Unidos).
A General fechava fábricas, despedia pessoal… de uma forma rude deixando estas pessoas na rua da amargura, e muitas vezes voltava a contratá-las e a despedi-las novamente, porque sabia que era uma grande fábrica em Flint, e o desemprego era muito.
Então Michael Moore neste documentário fala com as pessoas, entrevistando-as mostrando a revolta destas pessoas contra Roger Smith (Director da General Motors) quando eram despedidas e ficavam na rua da amargura, muitas delas até usavam uma linguagem pouco correcta, lembro-me de uma que me marcou, pois era uma senhora que estava muito revoltada com a situação e irritada com Roger, e dizia que não dizia mais coisas pois ficava lhe mal, pois é uma senhora, porque ainda tinha muito a dizer sobre Roger Smith. Mas isto não chegava para Moore e foi entrevistar o outro lado, aqueles que defendiam R. Smith, ou porque tal como ele eram ricos ou porque lhes dava jeito, esses eram pouco concisos, bastante vagos… Mas mais uma vez isto não era suficiente para Michael, e como começou a habituar-nos a aparecer nos seus documentários, também neste ele aparece, e como não lhe bastava a opinião das pessoas tanto do lado positivo como do lado negativo, fez de tudo para se encontrar com Roger Smith, mas não era fácil, mas Michael Moore insistia nesse encontro, pois não queria sentir que estivesse a ser levado pela sua própria determinação, depois de ver tantos trabalhadores a serem desempregados, ainda mais na sua terra natal, muitos dos quais seus conhecidos.
Entre muitas tentativas, tentou entrar na General Motors, onde foi bombardeado com muitas burocracias e uma elevada segurança que o impediram de chegar a Roger… fez tentativas noutros locais, alguns públicos, outros privados…onde chegou até a ser expulso.
Com tanto desemprego, e mostrando que isto era realmente devastador para a população daquela cidade, no documentário mostra em como a cidade se está a tornar num átrio de violência, pessoas constantemente desalojadas, e transmite-nos isso perfeitamente no seu documentário, o que me impressiona bastante é os exemplos que ele dá, para conseguir transmitir o que quer, por exemplo para mostrar o estado degradante em que a cidade se estava a tornar e como as pessoas no desespero de ficarem sem trabalho, tinham de sair da cidade, mostrou como o número de ratos já era maior que o número de pessoas.
Algumas pessoas aderiram a criar negócios por conta própria, mas muitas vezes não foi a melhor opção, e o realizador num destes momentos em que estava a entrevistar uma destas pessoas, e mostra o seu lado humano, em como se entrega de completo ao documentário de alma e coração, e fazendo sentir as pessoas muito à vontade, deixa essa pessoa mostrar-lhe o negócio que criou, analisando-o. Ele vê alguns trabalhos horrendos que algumas pessoas tiveram que aceitar para sobreviver.
Moore andou sempre atrás de Roger, como o cão atrás da presa, fez os possíveis e os impossíveis, mas nunca foi retribuído pela parte de Roger.

Sicko, um filme de Michael Moore


Após a uma análise ao filme Sicko de Michael Moore, fiquei comovido por este trágico retrato, da situação desastrosa, em que se encontra o sistema de saúde americano, que é dos mais caros, mas que está muito mal administrado.

O filme encaminha os telespectadores através de várias partes mostrando que tudo o que tem a ver com o sistema de saúde, está errado:

Desde pessoas que têm obrigatoriamente de mudar de padrão de vida, porque não estavam cobertos pelos seguros de saúde, incluindo um homem que teve de optar por salvar apenas um de dois dos seus dedos amputados num acidente.

Pessoas que não recebem assistência pois o seguro não tinha sido aprovado para pagamento, incluindo uma senhora que mostram no filme, pois, por vergonha, ela não revelou que tinha tido uma pequena infecção urinária há alguns anos atrás.

Directores médicos, trabalhadores da companhia de seguros e médicos administradores juntavam-se e usavam os registos médicos tentando descobrir uma falha nos processos das pessoas para negar o pagamento de cuidados de saúde.

O alto grau de mistura de política e de negócios nos serviços de saúde que geravam milhões de dólares.

Como o sistema de saúde canadense, britânico e francês funcionam, e como até mesmo os americanos beneficiavam desses sistemas. Uma jovem na França diz que ela se sente culpada pelo elevado grau de atenção que ela recebe de lá enquanto os seus pais trabalharam a vida inteira nos E.U.A. e têm um sistema inferior.

Moore, ridicularizado e chamado de anti-americano por direitistas, mostra que os canadenses e os franceses, que são pró-americanos e até mesmo conservadores, mas que ainda pensam na saúde universal algo inquestionável.

Os Americanos vivem vidas mais curtas e têm maior incidência de doenças do que noutros países também desenvolvidos. Têm a maior taxa de mortalidade de bebés no mundo desenvolvido, com a taxa de Detroit, maior do que El Salvador, por exemplo.

Como um sistema fragmentado e descentralizado livram-se das pessoas e dos seus cuidados médicos no hospital enviando-as para clínicas quando eles não têm meios para pagar mais nada.

Bombeiros e voluntários do 11 de Setembro que, ano após terem sido anunciado como heróis, agora estão a lutar com problemas de saúde e não têm recursos para pagar. Assim, Moore leva-os para Guantanamo Bay e aí são tratados por médicos cubanos para não pagarem o tratamento. Uma mulher chegou a chorar quando disse que pagava 120 dólares, por um inalador, nos Estados Unidos da América, em vez de o equivalente a 5 centavos para ela teve que pagar.

Uma estação de bombeiros local cubana homenageou-os, dissipando o mito de que os cubanos são tpdos anti - Americanos.


Um belo toque final que evita com que nós nos sintamos deprimidos é uma anedota, rica em ironia, na qual um site anti-Michael Moore estava quase a ser encerrado porque o fundador não tinha recursos para continuar com o site online e pagar as contas médicas da sua esposa. xD

Moore até se ofereceu para ajudar a pagar as contas desse anti-fã quando recebeu uma resposta curta e grossa (F-U) do fundador do site. Obviamente que enviou um cheque anónimo e até hoje esse site ainda funciona, falando mal de Michael Moore.

O ponto mais instrutivo deste filme é fazer com que os americanos percebam que não tem de ser desta maneira. O facto de que é demonstrado pelo filme, e que é facilmente obtido em estatísticas, é que podem ter cuidados muito melhores, terem 100% das pessoas cobertas pelo seguro e pagar menos. Mas isso exigiria uma completa reestruturação do sistema que, por sua vez, tem todas as bases erradas e muita gente do topo a ganhar com isso.

O filme faz um trabalho maravilhoso de educar as pessoas sobre como as coisas estão más e o quanto melhor poderiam ser, e o filme tenta provocar uma discussão nesse sentido de as coisas melhorarem. E esperemos que esta seja uma questão que possamos discutir, sem ter de suportar outras distracções sobre o "carisma" do cineasta.

Invisibles (2007)



Invisíveis [Invisibles] é um filme levado a cabo por Javier Bardem (produtor) e realizado igualitariamente por Mariano Barroso, Isabel Coixet, Javier Corcuera, Fernnando León de Aranoa e Wim Wenders.

Não se trata de um documentário apenas, arrisco a dizer: são cinco mini-documentários. Trata-se de uma estrutura bastante bem montada pois, se a compararmos a outros filmes onde várias histórias se cruzam, estas não o fazem separadamente. Existem fronteiras. Quando acaba uma história começa outra completamente distinta mas que não deixa em nenhum momento de se relacionar com a anterior: todas se relacionam e permanecem unidas pela temática base do documentário: dar visibilidade aos invisíveis, gente que a sociedade insiste em manter no esquecimento e cujos problemas quotidianos não são suficientemente “importantes” – e nem sempre as razões para tal são discriminadas no documentário – para que o ocidente os divulgue mais insistentemente.

Invisíveis dá-nos a conhecer cinco histórias, cada uma delas com a duração aproximada de 20 minutos e dirigida por um realizador diferente. Todas as histórias estão muito bem levadas a cabo e o espectador facilmente se consegue colocar no papel de cada “protagonista”, sentindo empatia pelos seus passados e presentes, os quais acarretam sempre uma dor e uma angústia muito fortes.

A primeira das cinco histórias, realizada por Isabel Coixet, mostra o quotidiano de uma rapariga boliviana que vive e trabalha em Barcelona para melhorar a vida da família. Enquanto acompanhamos essa rapariga num dia normal de trabalho (onde se nota que tem, pelo menos, dois empregos), ouve-se uma voz-off: a da sua mãe que “lê” as cartas que lhe são enviadas e onde dá conta da doença na qual a família se vê envolvida. “Cartas a Nora” retrata isso mesmo: as cartas que a família envia a Nora e onde uma doença que assombra a pobreza da América Latina, “la chancha”, que afecta milhões de pessoas mas que abrange um mercado demasiado pobre para que as grandes empresas farmacêuticas se debrucem e queiram desenvolver medicamentos para a dita doença.

A segunda história, da autoria de Wim Wenders, leva-nos até á República Democrática do Congo onde algumas mulheres denunciam os maus tratos feitos pela guerrilha da oposição, os Maï-Maï. Este exército armado que se fixou do outro lado do rio daquela aldeia vive abusando do poder, usando as armas para conseguir o que quer, num meio onde impera o vandalismo e onde a existência de justiça é nula. Matam os maridos, os filhos, e violam as mulheres, as mesmas mulheres, noites a fio sem qualquer amostra de piedade. É a doentia vontade dos soldados que reina. Os testemunhos destas mulheres, desarmadas de esperança, são impressionantes pela frieza e crueldade que contêm.

A terceira história, da autoria de Fernando León de Aranoa, mostra-nos bem de perto a realidade de milhares de crianças do Uganda, que para fugirem aos sequestros nocturnos para as guerrilhas, vão até às cidades mais próximas para pernoitarem. Um destes “armazéns” seguros onde estas crianças dormem chama-se Arca de Noé, e é nele que o autor procurou conhecer melhor este drama. Durante a tarde milhares de crianças vão chegando a este campo. O ritual é todos os dias igual: chegam, passam por um funcionário que escreve os seus nomes, idades e aldeias de onde vêm, e às 9h30, deitados em esteiras e tapados com simples mantas, é ordenado o silêncio. Na manhã seguinte as crianças voltam às aldeias, para mais tarde se repetir a rotina. Incríveis os testemunhos de algumas destas crianças que viram a sua família ser brutalmente assassinada à sua frente.

A quarta curta-metragem, de Mariano Barroso, foge ao comum formato dos demais documentários do filme, forjando conversações numa reunião entre os voluntários dos Médicos Sem Fronteiras e um alto representante de uma empresa farmacêutica. Nesta reunião, os MSF tentam convencer o executivo a dar um passo em frente no desenvolvimento de medicamentos que podem curar a “doença do sono”, que afecta milhares de pessoas na África Central. Um braço de ferro que se centra na procura de um responsável (os Governos ou as companhias farmacêuticas) ocidental para tais problemas.

O quinto e último mini-documentário, de Javier Corcuera, acompanha um grupo de camponeses colombianos cujas terras lhes foram retiradas pela “guerrilla”, para fins militares, e que tentam recuperá-las. Esta obra mostra como este grupo foi forçado a abandonar as suas terras, deslocar-se com bagagens e gentes para terrenos longínquos (cedidos por ONGs) e como se ali fixaram. Desenvolveram as suas escolas, casas, agriculturas e tentam a todo o custo a autonomia.

Este filme visa ser uma chamada de atenção para a sociedade ocidental, uma tentativa de tornar estas histórias e estas gentes não mais invisíveis aos nossos olhos. Mostra que os problemas primitivos que não imaginamos numa sociedade desenvolvida ainda existem e insistem em não cessar porque quem pode e deve preocupar-se, a fim de ajudar, não o faz, acima de tudo porque não conhece.

Agradou-me bastante todo o conjunto, a estrutura final apresentada, mas a eleger um dos cinco mini-documentários mostrados em Invisíveis, teria de ser o de Wim Wenders ou o de Fernando León de Aranoa. Aplaudo Javier Bardem por ter permitido que esta iniciativa fosse avante.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Fleurette" de Sérgio Tréfaut

Sérgio Tréfaut, filho de pai português e de mãe francesa, nasceu em S. Paulo (Brasil) em 1965. É mestrado em filosofia pela Universidade de Soborne (Paris) e começou a sua vida profissional como jornalista em Lisboa. Actualmente concilia realização e produção. Entre os seus trabalhos como realizador contam-se os documentários "Outro País" (1999), "Fleurette" (2002) e "Lisboetas" (2004-2005).
Sérgio Tréfaut, realizador e produtor de documentários, apresenta ao público, em 2002, o documentário “ Fleurette”, onde ele vai proporcionar uma viagem à memória da sua mãe, na tentativa de montar um “puzzle” que o tempo fez questão de baralhar.
Para a elaboração deste documentário, Sérgio Tréfaut procura compreender o passado atribulado da mãe, e desvendar os obstáculos que Fleurette sente aos 79 anos, a inquéritos sobre o seu passado. Mas vai ao longo do filme desvendando, pouco a pouco, acontecimentos secretos e revelando outra vida.
É um documentário de dífícil delimitação em termos de género. É considerado, formalmente, um documentário autobiográfico, em que, além do testemunho da sua mãe, o realizador interroga o pai e o irmão, em complexa estratégia de auto-descoberta, acaba por passar as fronteiras da ficção, lançando um belíssimo olhar sobre uma história familiar.
Esta busca da compreensão das suas origens através da memória da sua mãe, que por vezes, é dividida através do testemunho do seu irmão, é de facto, um dado importante, pois será apresentada toda a história de uma família, história essa que remonta aos seus avós maternos.
A própria personagem de Fleurette, na qual se centraliza toda a narração do discurso autobiográfico, transmite ao longo do filme diversos pontos de melancolia e mesmo de tristeza. Na verdade há uma dor imensa ao desenterrar toda uma história que, embora vivida com alegria, foi no fundo uma história de vida muito conturbada, que ela fez questão de apagar.
O documentário apresenta uma narrativa linear, na qual a passagem do tempo é estabelecida através do recorrer dos factos históricos: a 2ª Guerra Mundial, a libertação de França, a Revolução de Abril e também das sucessivas fotografias em forma gradual até chegar à geração do realizador. Pois atravessa grande parte do século XX, da França dos anos 40, com fragmentos de histórias de amores e desamores, de colaboracionismo e neutralidade, ao Portugal da Revolução de Abril, é também um registo de uma narrativa comovente sobre as contradições de estrutura familiar, no quadro mais vasto da história recente.

Com "Fleurette", Sérgio Tréfaut ganhou vários prémios:
- Doclisboa 2002 - Prémio melhor montagem.
. Les Ecrans Documentaires ( França) 2003- Grand Prix
- Extrema`doc Cáceres ( Espanha) 2006 - Melhor filme transfronteira.

Sérgio Tréfaut é também director e programador do maior festival de cinema documental de Portugal, o doclisboa. Para além da projecção de documentários, o doclisboa, é também um motor de divulgação e promoção desta expressão cinematográfica, sendo que do programa constam, também, debates, workshops, sessões de escrita cinematográfica e sessões infantis. Este projecto define-se, assim, por uma vertente cívica, com um projecto educacional e um desafio à reflexão.
O filho procura compreender o passado atribulado da mãe e o seu passado. Mas vai ao longo do filme, pouco a pouco, desvendando acontecimentos secretos e revelando uma ou
É um filme de difícil delimitação em termos formalmente um documentário autobiográfico, em que o realizador interroga os pais e o irmão, em complexa estratégia. Porque se atravessa grande parte do séc. XX, da França dos anos 40, com fragmentos de história de amor e desamor, de colaboracionismo e neutralidade, ao Portugal da Revolução de Abril, é também a inscrição de uma narrativa comovida e terna sobre as contradições da estrutura familiar, no quadro mais vasto da história actual.
Segundo Sérgio Tréfaut, o documentário está a passar ao lado da realidade portuguesa e devia ser mais matéria-prima do que arquivo de uma sociedade. O programador culpa, em parte, o Instituto do Cinema e Audiovisual de "ignorância cabal em relação ao documentário" e de ter júris que desconhecem o que se faz nesta área. A par destas questões, de financiamento, dos estilos e tendências deste género cinematográfico, os Estados Gerais do Documentário pretendem ainda delinear estratégias para o futuro. Para Sérgio Tréfaut, o caminho é claro: "Passa por conseguirmos ter uma escola de documentário a sério e importar grandes professores do documentário para formar novas gerações, antecipando o debate, Sérgio Tréfaut falou de uma evolução positiva na produção de documentários em Portugal nos últimos dez anos, mas criticou os critérios de financiamento, a falta de tradição de ensino e uma predominância do discurso televisivo no cinema documental.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Kieślowski - Realizador Polaco


Krzysztof Kieślowski, nasceu (1941) e morreu (1996) em Varsóvia na Polónia. Este foi um dos nomes mais conceituados do cinema no seu país, tendo feito os seus estudos na área do cinema na Escola de Teatro e Cinema de Lodz, por onde também passaram os cineastas Roman Polanski e Andrzej Wajda.
A carreira de Kieślowski divide-se entre a fase polaca e a francesa. Depois de concluir a faculdade, o jovem realizador começa a produzir documentários. A vida dos trabalhadores e dos soldados era o foco principal desses filmes. A narrativa desses mesmos documentários passa a influenciar os primeiros filmes de ficção do realizador. "A Cicatriz", "Blind Chance" e "Amador" são exemplos desse estilo.
Mais tarde, Krzysztof Kieślowski realizou para a Televisão Poloca uma série de filmes baseados nos Dez Mandamentos (chamada Decálogo) - um filme por mandamento, todos tratando os conflitos morais. Dois deles foram posteriormente produzidos, transformados em longas-metragens: Não Matarás e Não Amarás. A forma de contar a história muda nesta fase. O realizador passa a usar uma quantidade mínima de diálogos, concentrando-se no poder da imagem e das cores. As palavras são substituídas por uma poesia imagética.

O cineasta aprimora o seu estilo ao realizar os seus próximos filmes. Os quatro últimos filmes do realizador foram feitos através de uma produção francesa: "A dupla vida de Veronique" (contando com a actriz Irène Jacob) e a Trilogia das Cores (A liberdade é azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha).

A trilogia das cores, foram os filmes que deram um maior sucesso comercial ao realizador. Estes inspiraram-se nas cores da bandeira francesa e no slogan da revolução do país. O toque de Kieslowski está na sua representação das palavras liberdade, igualdade e fraternidade e na forma que as cores dão o ambiente psicológico da história. Outro ponto interessante é o cruzamento de elementos comuns entre os três filmes.

Depois do último filme da trilogia o realizador anunciou a sua aposentadoria devido ao facto de estar cansado de fazer cinema. Porém, começa a escrever o roteiro da trilogia "Paraíso, Purgatório e Inferno", baseada na Divina Comédia de Dante Alighieri. Kieślowski morre em 1996, aos 54 anos, sem concluir esses filmes. Em 2002, Tom Twyker filma o roteiro de "Paraíso", idealizado pelo realizador polaco.

Por fim, fica aqui aqui um dos três videos que mostram o realizador Kieślowski a falar e a analisar cenas da Trilogia das Cores. Este video é bastante interessante pois o realizador explica o que queria e o que conseguiu fazer das cenas que tinha idealizado nestes filmes.


Por: Nuno Fernandes
Nº35234
Estudos Artísticos

Os Mestres Loucos(1955), de Jean Rouch

Os Mestres Loucos, com o nome original Les Maîtres Fous, é um documentário do realizador francês Jean Rouch, de 1955. Jean Rouch foi professor catedrático das universidades de Paris Panthéon-Sorbonne e Nanterre, ex-presidente da Cinemateca Francesa, e secretário geral do Filme Etnográfico no Musée de l’Homme, em Paris; tornando-se uma figura incontornável na história do documentarismo por ser considerado o pai do cinema-verdade.

parte 1 -

parte 2 -

parte 3 -

O documentário, filmado com os intérpretes em apenas um dia, foi postumamente produzido em França pelo realizador e por Les Filmes de la Pléiade. Foi filmado com uma camara de 16mm, ficando com a duração de cerca de 30 minutos, e com a imagem a preto e branco.


Jean Rouch é o narrador, em voz-over. Faz a ligação entre o enredo e o espectador, que não tem bases de conhecimento para entender tal cultura diferente, tendo uma função mediadora. O seu discurso é leve, popular, e até um pouco cómico, adaptado à linguagem do público alvo, ou seja, da sociedade dos países mais desenvolvidos, na Europa ou na América. Este, como antropólogo, inseriu-se na comunidade estudada, quebrando a tradição de superioridade a que se assistia anteriormente.


O espectador é transportado para a cidade de Accra, na Nigéria, onde são demonstradas as práticas religiosas da importante cerimónia anual do culto Hauka.
Mestres Loucos inicia-se com a apresentação das pessoas, como se fossem personagens de um filme, ou personagens-tipo que subentendem a dominação colonial a que se assistia na época, na região. As pessoas retratadas são personificações do policia, do governador, do doutor, do general, da esposa do capitão, do condutor de transporte de passageiros, entre outros, com alcunhas americanizadas.
A cerimónia tem início após uma confissão do padre Mountbyéba, e, após a ingestão de algumas substâncias naturais que não têm qualquer referência explícita no discurso de Jean Rouch, dá-se uma onda geral de possessão.
O ritual contém imagens obscenas e incómodas, parte de uma arte feia, que incluem o sacrifício de um cão, os possuídos a espumar saliva e a tremer constantemente, respirações ofegantes e movimentos desengonçados.
No final Jean Rouch deixa o espectador a reflectir no modo em que vive, mostrando as faces alegres dos trabalhadores nigerianos na sua vida quotidiana, acabando por referir os remédios que a nossa civilização ocidental ainda desconhece.

As bem concebidas montagem e sonorização fizeram-se através da aliação das imagens vistas por uma perspectiva brutal e das construcções acabadas e inacabadas.


Este é um bom exemplo do conceito de cinema-verdade, explorado pelo realizador. Os representados participaram activamente na realização e produção do filme, pois o argumento foi feito tanto por Jean Rouch, pois o antropólogo deve interagir, como pelos representados, pois neste conceito também está patente a ideia de que se as pessoas participarem no filme este tornar-se-á mais produtivo.


E demonstra uma outra face da realidade, que só foi possível captar devido à proximidade do realizador com o povo retratado e ao trabalho de pesquisa prévia; para a Antropologia a imagem deste documentário é verdade porque se os representados se quiseram mostrar de determinada maneira perante a camara, a faceta que mostram é real.
Neste exemplo compreende-se que não há neutralidade, porque a imagem é compreendida através de um ponto de vista pessoal, direccionada pelo realizador e pelos representados.


Pessoalmente, aconselho a visualização das 3 partes do documentário a quem ainda não o viu, porque o contraste entre as imagens violentas e o discurso jocoso está demais, e oferece uma refrescante perspectiva de documentário.

Aves Migratórias

Aves Migratórias
(2001)


Este filme de origem francesa realizado por Jacques Perrin, é um filme de género documentário e que tem dentro de si ainda um subgénero, que é o género aventura.
Dependendo dos países, pode também ser chamado de Le Peuple Migrateur (em França) e The Travelling Birds (nos Estados Unidos da América e na Inglaterra).
Antes de vos falar um pouco acerca do documentários, vou-vos falar um pouco acerca do realizador Jacques Perrin. Jacques Perrin nasceu em Paris no dia 13 de Julho de 1941. Para além de ser um realizador ele é também actor e produtor. Ele fez imensos filmes, começando a sua actividade em 1946 até à actualidade. Alguns dos filmes que ele foram: La Corruzione (1963), L’Adoption (1978), Le Peuple Singe (1989), Les Enfants de Lumière (1995), Le Peuple Migrateur (2001), entre muitos outros filmes.
No que diz respeito ao documentário Aves Migratórias podemos verificar que, a tese principal deste filme é no fundo mostrar o processo da migração das aves pelo mundo, que acontece devido a diversos factores. Sendo a migração vista como um combate à sobrevivência, ou seja, o facto das aves emigrarem para poderem sobreviver.
Temos depois também a presença de diversos planos dentro do documentário e que o realizador pretendeu aqui mostrar, que são eles: a viagem das aves, a vida das aves e as diversas espécies (tipos) de aves existentes no nosso mundo.
Vemos também que o realizador evidencia aqui em algumas cenas, imagens do Homem a devastar o Habitat naturais.
Em termos técnicos vemos que existe aqui uma montagem perfeita e sequenciada das imagens, pois o documentário não se passa apenas numa zona do planeta, mas sim em várias zonas do nosso planeta, como por exemplo: a selva, a cidade de Paris, a Península Ibérica, o Extremo Oriente, a Planície do Gange (na Ásia), o Golfo do México, entre outras muitas zonas.
Outro ponto importante nos aspectos técnicos do filme, é o de que este realizador utilizou todos os planos e imagens em alta definição, o que acaba por dar um pouco mais de vivacidade e realismo às imagens, embora saibamos que eu documentário é uma reapresentação do real e nunca o real. E ainda é importante aqui pôr em ênfase que se verificam registos em voz off; esses registos são evidentes aquando de algumas explicações que são dadas pelo realizador ao longo do filme, pois nunca parece a cara deste durante todo o documentário. Outro aspecto é o de que não são muitas as explicações que o realizador dá ao longo do filme, ele centra-se antes mais nas imagens. Ou seja, aqui podemos ver a valorização e a importância das imagens por parte do realizador neste documentário.
Uma curiosidade acerca deste documentário é o de que, este documentário foi indicado aos prémios Óscar, em 2003, na categoria de Melhor Documentário.


Texto escrito por: Vanessa Silva nº33728 3ºano Estudos Artísticos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

JOHN GRIERSON

por Ana Raquel Silva (EA 33717)

John Grierson (1898-1972) é um nome primordial na história do documentário. Este escocês liderou o Movimento Documentarista Britânico (movimento que marcou as décadas de 30 e 40) e foi o responsável pelo reconhecimento do documentário como um género autónomo. Justamente foi quem, pela primeira vez, usou o termo ‘documentário’ (a propósito do filme Moana, de 1926, de Robert Flaherty, ao qual Grierson atribuiu um valor ‘documental’), conferindo-lhe a afirmação institucional que, ainda hoje, faz parte da nossa cultura fílmica.

Formado em Filosofia e Literatura, cedo mostrou preocupações sociais – em 1924 ganha uma bolsa para estudar, nos Estados Unidos, os problemas da imigração. Apercebe-se da dificuldade do cidadão comum em discutir e opinar sobre questões mais complexas da sociedade moderna. O início do século XX colocava, em vários países do mundo (Alemanha, União Soviética, França, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos – independentemente das ideologias seguidas) a possibilidade do uso dos meios de comunicação, então existentes (a rádio, o cartaz, os jornais e o recente cinema), como instrumentos doutrinários e de propaganda. E, porque não, também como um instrumento pedagógico? Foi nesta vertente que Grierson se propôs pensar o uso da imagem cinematográfica.

Drifters foi o primeiro filme que Grierson realizou, em 1929, e a partir do ano seguinte foi o responsável pela produção de diversos documentários. Os seus filmes propunham um cinema de intervenção social. Para Grierson a vida devia ser passada para o ecrã de uma forma realista e jornalística, o que não quer dizer que, para ele, os aspectos estéticos não fossem importantes. De facto, Grierson pensava o documentário como um objecto artístico, poético – o documentário seria, assim, um género de categoria superior, visto que utiliza a criatividade para trabalhar material recolhido in loco. Ou seja, a aproximação do espectador à realidade passaria, não só pela razão, mas também pelo sentimento.

Segundo Grierson, só seria possível criarem-se as bases para a estrutura da democracia dos tempos modernos através de sistemas adequados de educação e informação públicos; sistemas esses que deviam ser comunicados através de meios fílmicos. Para ele, o método tradicional de ensino não era mais capaz de realizar a tarefa de criar cidadãos informados e conscientes do seu papel cívico; para que isso acontecesse seria necessário ir além da sala de aula e atender às necessidades imediatas da sociedade. A propaganda seria, assim, a resposta a esta necessidade. Grierson acreditava no papel pedagógico e positivo da propaganda – não a propaganda fascista ou nazi, mas a propaganda que promovesse a democracia. E o documentário era o melhor meio para veicular a mensagem de cidadania.

Desafiando a indústria fílmica ‘hollywoodesca’, Grierson procurava, então, demonstrar que o cinema podia se servir da vida quotidiana como temática base e ser muito mais interessante em termos sociais e artísticos.

Ao contrário de Flaherty, Grierson perseguia a ideia que o documentário devia servir a sociedade, abordando os problemas sociais e económicos e tentando encontrar a resposta para os mesmos – atribuindo-lhes, assim, uma utilidade pública. Grierson admirava o trabalho de Flaherty, mas, segundo ele, faltava-lhe algo: faltava-lhe apresentar soluções para os povos que filmava.


Bibliografia

Ian Aitken, The Documentary Film Movement – An Anthology, Edinburgh University Press, 1998

Manuela Penafria, O filme documentário em debate: John Grierson e o movimento documentarista britânico, in <http://bocc.unisinos.br/pag/penafria-manuela-filme-documentario-debate.pdf> [última cons.: 18/12/2009]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Multiculturalismo, Raça, Representação (parte II)

O cinema, durante algum tempo, manteve-se em silêncio no que diz respeito a estas questões. A teoria europeia e norte-americana do cinema parece ter tido a ilusão de ser destituída de raça, pensando somente nas nacionalidades europeias. São poucas as referências que podemos encontrar sobre o racismo na teoria do período mudo.
Mas durante as últimas décadas podemos ver que trabalhos importantes foram publicados sobre questões que envolvem a representação étnica/radical/cultural no cinema hollywoodiano. Um texto importante é o de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, onde é exposto o racismo imperialista que impregnava os desenhos da Disney.
Outra parte destes trabalhos cabe às representações fílmicas das comunidades negras dos Estados Unidos. Numa grande parte da história de Hollywood era quase impossível os afro-americanos ou norte-americanos nativos se representarem a si mesmos, cabiam-lhes sempre papéis de pouca importância e estereotipados. Bogle (1989) fez uma pesquisa dessas representações.
Bogle destaca a grande imaginação dos actores negros, estes foram capazes de transformar papéis depreciadores em performances de resistência.
Importantes trabalhos têm sido realizados sobre outros grupos “inferiorizados”, tais como os latinos, já que o homem latino é muitas vezes caracterizado como um exemplo de violência masculina, são inúmeros os filmes em que isso acontece.
Os preconceitos antigamente direccionados para os indígenas norte-americanos e os negros, parecem cair agora sobre mestiços mexicanos. Quanto mais escura é a cor da pele da personagem, pior ela será.
A busca por imagens positivas não é compreendida pelos grupos privilegiados. Porém num cinema produtor de heróis e heroínas, as comunidades minoritárias procuram inserir-se por uma razão de equivalência representativa.
Os críticos reconheceram a importância das análises de estereótipos e distorções, mas não deixam de criticar os métodos que são utilizados nessas abordagens, pois a obsessão que exercida pelo Realismo leva a que se cometam graves lacunas.
A preocupação exclusiva com as imagens, sejam elas positivas ou negativas, corre o risco de produzir o próprio racismo que deveria estar a combater. As análises de estereótipos deverão ser fundadas no individualismo, pois um foco na personagem individual pode permitir que nenhuma personagem seja estereotipada.
Um cinema de imagens artificialmente positivas traduz uma falta de confiança no grupo retratado, deveria haver a preocupação de, em vez de serem representados heróis, serem representados sujeitos.
O cinema de discurso eurocêntrico pode ser transmitido, não só através das personagens ou pelo trama, mas também através do enquadramento, da encenação e da música.
Para combater o racismo e avançar numa perceptiva liberatória, as representações realistas não são a única solução.
Se por um lado o cinema é a imitação e a representação do outro, este é também um acto interlocução contextualizada entre produtores e receptores socialmente localizados.
Uma discussão com mais realce na questão racial do cinema, deveria caminhar ao encontro da enfatização do jogo de vozes, dos discursos e das perspectivas, incluindo aqueles operantes no interior da própria imagem. Não se trata de um pluralismo, mas sim de um multivocalismo, uma abordagem que abrange, e até incrementa, a diferença cultural, em paralelo com a necessidade de abolir as desigualdades socialmente determinadas.
Nos anos 80 e 90, além dos estudos sobre grupos isolados, assistimos também a estudos sobre a branquidade. Os estudiosos questionam a forma de como os brancos parecem ser a única raça que está isenta de marcas.
O que realmente parece ser importante é manter um sentido de relacionalidade híbrida e co-implicação social das comunidades, para se perceber mais sobre a negritude e a brancura e o seu relacionamento, sem nos deixarmos cair num discurso simplista e resumido.
Talvez seja tempo de pensar num multiculturalismo comparativo, em estudos relacionais que não tenham que passar pelo suposto centro. Em vez da concentração excessiva nas questões norte-americanas e nas representações do cinema hollywodiano, deveríamos pensar em outras relações como por exemplo as do cinema indiano e o egípcio ou do chinês e o japonês.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

REALIDADE E FICÇÃO

A questão da realidade e ficção já não tem discussão, uma vez que a ficção dos dias de hoje acaba por ser uma representação do real tentando ser o mais verídico possível, mas nada é totalmente verdade, tudo depende do ponto de vista do espectador. Assim misturar a realidade com a ficção pode ser visível em vários filmes, documentários e também em telenovelas. Neste ultimo exemplo apresentado, cada vez é mais evidente a passagem da realidade para a ficção, fazendo assim com que se criem “laços” com o espectador. A ideia da maioria das pessoas é que a novela é somente um conjunto de histórias criadas para entreter o público, embora exista uma grande polémica em torno desta questão, as novelas são um exemplo que pode reflectir, criticar e retratar a vida real e abordar os problemas das diferentes sociedades nos dias de hoje, pois estas são cada vez mais cópias da realidade, onde cada detalhe é importante e pensado ao mínimo pormenor.
As novelas de um modo geral acabam por “manipular” a sociedade e tornam-se num aspecto fundamental na criação de massas de manobra, daí dizer-se que, se por um lado é positivo e dá a conhecer o real, por outro acabam por mostrar “histórias” que vendem, influenciando quem as vê. Especificamente, irei salientar algumas das novelas de Manoel Carlos e de Gloria Perez que na rede Globo têm demonstrado aspectos bastante importantes e que dão ao espectador uma visão diferente e desconhecida de certos assuntos, alguns ainda considerados “tabus” na sociedade actual. No caso das novelas de Manoel Carlos, que foram grandes sucessos, nomeadamente “Laços de família”, “Mulheres apaixonadas”, “Páginas da vida” e agora em exibição “Viver a vida”, são usados temas pertinentes, chegando mesmo a utilizar acontecimentos reais e testemunhos verídicos e incuti-los dentro das diversas histórias encadeadas da novela. Assim, através de temas como o alcoolismo, a droga, a anorexia, o amor, a violência e doenças que cada vez mais afectam as pessoas nos dias de hoje, Manoel Carlos tenta envolver o público com os dramas da vida real, que acaba por se identificar com a ficção que ali se vê, tornando-se exemplos de vida.
Por exemplo, na novela “páginas da vida”, relembro que incluíram uma cena real de um parto dentro da história fictícia, ou então, os testemunhos reais de famílias com crianças com trissomia 21 ou síndrome de down que realmente pertenciam ao elenco da novela e explicavam ao público como lidar com esta doença. Estes são pormenores que demonstram a qualidade da veracidade na história. No caso mais recente da novela “viver a vida” há o exemplo da “drunkorexia”, a chamada anorexia alcoólica, que através de um personagem fictício, trata deste distúrbio. No final de cada episódio podem ver-se testemunhos verídicos de pessoas que falam da sua vida, contando dramas e problemas por que passaram mas que acabaram por superar e este é realmente o tema da novela, viver a vida de todas as formas, sendo o mais importante viver.


Nas novelas de Manoel Carlos são sempre abordados temas e questões reais da sociedade actual. Já no caso de algumas novelas de Glória Perez existe uma ficção bastante realista, pois ela fala de outras culturas e modos de vidas diferentes da cultura oriental, como por exemplo, na novela “o clone” e em “caminho das Índias” onde se pretendia demonstrar um pouco das diferentes culturas e do papel que as mulheres têm na sociedade e em como a religião gere os costumes daqueles países. Toda a cultura destes países foi estudada detalhadamente para apresentar, fazendo com que a representação da realidade esteja sempre presente .

Assim pode concluir-se que as novelas não são a realidade em si, mas uma representação muito próxima do que é real, passando, desta forma, ideais que acabam por ser “consumidos” pelo espectador, dependendo do ponto de vista de cada um.


TRABALHO ELABORADO POR: Carina Encarnação nº 28963 Estudos Artísticos